Escrito por Júlio Amaral Melo às 16h02
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VOGAIS
A negro, E branco, I roxo, U verde, O azul: vogais,
Qualquer mão eu vou sacar teus segredos latentes:
A, noite vela o voar das moscas escarluzentes
Que zumbem em torno dos cruéis pantanais,
Tendas d’ombro; E, candidez das vaporagens e dos dentes,
Lanças das flores glaciais, brancos reis, frissons d’umbelas;
I, rubis, curpe carmim, a rir das soltas belas
Da cólera ou dos iludidos penitentes;
U, círculos, vibramentos divinos dos mares
Verdes, paz dos pastos colhida d’animais, paz dos ares
Que a alquimia imprime às longas frontes dos binóculos;
O, supremo Clamor da estridência dos banjos,
Silêncios travestidos dos Mundos e dos Anjos:
–– Ó Ômega, raio violeta dos Seus Óculos!
VOYELLES
A, noir, E blanc, I rouge, U vert, O bleu: voyelles,
Je dirai quelque jour vos naicessances latentes:
A, noir corset velu des mouches éclatantes
Qui bombinent autour des puanteurs cruelles,
Golfes d’ombre; E, candeurs des vapeurs et des tentes,
Lances des glaciers fiers, róis blancs, frissons d’ombelles;
I, pourpres, sang craché, rire des lèvres belles
Dans la colère ou les ivresses pénitentes;
U, cycles, vibrements divins des mers virides,
Paix des pâtis semés d’animaux, paix des rides
Que l’alchimie imprime aux grands fronts studieux;
O, suprême Clairon plein de strideurs étranges,
Silences traversés des Mondes et des Anges:
–– O l’Oméga, rayon violet de Ses Yeux!
{Rimbaud/Júlio}.
Escrito por Júlio Amaral Melo às 16h01
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DESAJEITADA
Abismo: a noite traz a treva.
Entulho, vermelha; galáxia bem negra.
Caem cintilações donde a espiral reintegra
o céu amor em fachos. Estrela: leva
o aperto de 2 dedos nas bochechas
cintiladas; facho de dedos: são duas
estrelas que restaram e são tuas,
embora cintilem sem bochechas...
Ilca, ñ 'mama a Mama' de Zuleica?
Ébrio, serelepe, Jamil ñ salamaleica
o loló barbudinho da corcunda
cabeluda num torpor que inunda
aquele rabo até paixão? Acorda, pirralho!
Demorou, meu; me seqüestra, caralho!
Escrito por Júlio Amaral Melo às 18h29
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