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O COTONETE ETÍOPE
a Edilson Pantoja e Denão
Escrito por Júlio Amaral às 21h02
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(Resposta preâmbulo a uma leitora tarada de Bangladesh, que duvida que haja cotonetes ambulantes em Etiópia e o mais lamentável: que seja, eu, um autêntico etíope):
Sim, moleca, agudamente, sou etíope, é verdade; vivo nessa porcaria e não agüento mais! Como viver em outros lugares sem a comida daqui? Tenho um amigo feliz. Ele fala Amárico, mas começa a entender um pouquinho de meu Árabe, como se diz tapera em inglês? Não longe da tapera que é essa casa, moleca, fica a cidadezinha. Fique tranqüila, ok? Vamos fazer amor o mais rápido possível, (mas bem devagar). Tenha calma!
Escrito por Júlio Amaral às 21h00
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Numa cidadezinha q fica distante da podridão provinciana e pseudo-metrópolica da louvável Adis-Abeba, inauguraram, como festa, carnes permitidas e fitas coloridas, ñ tem 3 meses: 1 Consuma*Aqui Super Center. Meu mais honesto amigo trabalha lá agora. Vestido de cotonete. Crianças beliscam seus testículos sem cortar as unhas, velhinhas pisam justo no seu dedão inflamado, menininhas com os lyndos rostos cobertos por véus apalpam lá pra sentirem se o cotonete tb tem aquilo; fãs de sinagoga, gagás derrubam bolas geladas, brancas e com flocos q estão começando a vender aqui no joelho dos pelos azuis. O bandejão almoça o cotonete, só a cabeça humana de fora. O feijão é bom. É ruim o ar-condicionado. Seu nome é Zarig el Ozar: “Olha só o cotonete, só podia ter nascido em Gondar; isso é coisa que se faça? ajudar um amigo afeminado com moedinhas”? No final da angústia a tarde liga emprestada com cartão pra filhota; ñ recebeu, ainda, a primeira quantia mensal de 1000 Birrs atestada no contrato de 3 meses. Anoitecem os transeuntes da noite de deixar a chave do armário cair, cotonete azul, ambulante, o que tira as sacolas plásticas de dentro do armário e amarrar sozinho as sandálias tem pra ele sabor de hortelã; melancolia sinuosa o invade e seduz, sereno do gramado, pus e o vento cubismo do convívio; abaixo, na narina, parafina adrenalina estricnina cocaína e outros produtos, anacolutos, abaixo, abaixo da neblina amarela os holofotes e a roupa de cotonete apagada no anta-califado do almoxarifado repleto de vigílias dorminhocos, escárnios e Zarig, estacionamento da alma. Sem que haja amor ao rever a carteira de identidade: churro na orelha das estrelas, nenhum carro nos passos.
Escrito por Júlio Amaral às 21h00
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Acordei animado e traquinas; cantando réu confesso de Pai Tim, acima: esquizitice que cometi ontem; uma chupada no ponto g de todos!
Escrito por Júlio Amaral às 20h59
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ASSOMBRAÇÃO DE CANTO ENTRE BOLAS NUMERADAS
Só ausência e nada
corroem fundo, cer-
veja, quem tem algo
ou alguém: fenece,
mas não por nada e
ausência; a tristeza
profunda é o acúmulo
do chumbo, se denun-
ciam quando estão
felizes; que maneira
de garrá felicidade;
de esmagá-la, sufocá-la
por ciúmes; eles sabem
muito bem como o bra-
cinho dela escapa!
Escrito por Júlio Amaral às 16h56
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KATÁPLIKSI BEATLEVINIANA
Mas que coisa gostosa! É hoje! Se alguém tiver condições
de me trombar: estarei num certo estacionamento de Sampa,
na muvuca frontal do show dos beatlevinianos do OASIS.
Ganhei my entrada! Sem encanação, mas dessa vez: é pouco provável que o vocalista da banda dê a brecha de al fine, pendurar um terço crístico no pedestal do microfone. . . quem sabe, né Lú? a minha
gata que comprou o ingresso nun vai tá lá? Luana e sua gata vão
comigo no opalão de mc do Denizar.
Escrito por Júlio Amaral às 16h55
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"Cheiro carinhoso no coração de todos. E a vida segue..." (Linaldo Guedes).
Mais Willer:
http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/cwillerverso.htm
Escrito por Júlio Amaral às 19h29
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Willer e seus Malditos Band
A SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE SÂO PAULO – BIBLIOTECA MÁRIO DE ANDRADE – COLÉGIO DE SÃO PAULO – APRESENTAM:
OS MALDITOS
Local: auditório da Biblioteca Mário de Andrade – Rua da Consolação, Centro, São Paulo, SP
Datas e horário: às quintas-feiras, de 23 de março a 18 de maio de 2006, às 19:30 h.
Inscrições e informações: tel. (11) 3256 5270, ramal 206, ou kbocchi@prefeitura.sp.gov.br
Escrito por Júlio Amaral às 19h21
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O termo ‘malditos’ designa autores cujas obras, por incompreensão de seus contemporâneos ou pela ação da censura, demoraram para ser lidas e aceitas; e que, subseqüentemente, exerceram influência e foram vistas como inovadoras. Ganhou importância com a publicação da antologia Les Poètes Maudits, preparadas por Verlaine em 1884 e 1888, trazendo à luz os então desconhecidos Rimbaud e Tristan Corbière, e publicando Mallarmé. A expressão pode ser usada referindo-se a autores anteriores ao final do século XIX: serve para designar, por exemplo, William Blake e Baudelaire. Ou então, é projetada em Antonin Artaud, Allen Ginsberg, William Burroughs, e até em contemporâneos: por exemplo, no recente primeiro volume da Obra Poética de Roberto Piva, seu prefaciador utilizou a expressão ‘linhagem maldita do romantismo’.
A essa categoria, ‘maldito’, são associadas outras de uso corrente na crítica literária: ‘ruptura’, ‘tradição da ruptura’, ‘rebelião’ e ‘transgressão’. Pode ser entendida em contraste com a noção de ‘olímpico’: por exemplo, em meados do século XIX Baudelaire foi o ‘maldito’, e Victor Hugo o ‘olímpico’; em nossa literatura, na altura de 1900, Cruz e Souza foi ‘maldito’, e Olavo Bilac ‘olímpico’.
Há dois modos de abordar o tema. Um deles é examinar autores tipicamente malditos, obedecendo a uma série cronológica. São (entre outros) William Blake, Sade, Baudelaire, Rimbaud, Corbière, Lautréamont, Artaud, Bataille. Na literatura brasileira, são ‘malditos’ Sousândrade, alguns de nossos simbolistas e autores paralelos ao modernismo. Pode-se localizar ‘malditos’ na literatura de Portugal e na poesia hispano-americana, entre outras.
Outra abordagem é selecionar, como tema de palestras, não autores, porém questões associadas ao sentido do termo ‘malditos’. Por exemplo, a validade e atualidade do termo ‘malditos’; a existência de ‘malditos’ contemporâneos e de uma ‘linhagem maldita’ ao longo do tempo; a projeção além dos limites da criação literária dos ‘malditos’: em movimentos de vanguarda, política, contracultura, rebeliões sociais.
A programação foi feita combinando as duas abordagens: como série de autores, e focalizando temas gerais. Foi convidado um elenco diversificado de especialistas, tanto da área universitária, de diferentes lugares do país, quanto de criadores literários que trataram do tema ou que o representaram. Não há intenção de esgotar o assunto. Autores importantes – como Rimbaud – não serão objeto específico de palestras, mas deverão ser discutidos ao longo do ciclo. No entanto, do modo como foi planejado, ‘Os Malditos’ não apenas transmitirá informação relevante, sobre autores de indiscutível importância, mas dará margem à reflexão e a produtivas discussões.
Claudio Willer
Escrito por Júlio Amaral às 19h21
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