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** Rabo de Arraia Mocó **
 

PETRUCHKANOVAIA

 

Uma tarde, debaixo de galhos gigantes, que enfolhavam com bronze verde e ouro negro boa parte do lago: dois vizinhos se encontraram. Um: era chamado por seus funcionários de Delicatówisky, o outro, sua família chamava de Pesadumov. Pesadumov era o único filho inteligente do sapateiro, tinha 12 anos; Delicatówisky: tinha a fábrica de torneiras para o banheiro e para a cozinha; casado com a médica da Sibéria: “Tudo bem?”, disse Delicatówisky, ajeitando o cabelo branco e liso pelo vidro do carro, vendo a vodka dentro dum saco de pão amassado; segurado por Pesadumov: “. . .Tudo bem o caralho!! Não! Não tá tudo bem. Não. . .” Delicatówisky, róseo, agora amarelo: “Já deve tá podre”, pensou sem dizer se deliciando consigo, “eu, Delicatówisky Delicadovitch: não vô pagá pau presse fedelho”: “Mesmo quando as coisas não estão boas; a gente fala que tá”, disse Delicatówisky depois de dizer que a xoxota cósmica, (a nova tattoo no braço de Pesadumov), era loca, “isso atrai as coisas boas”, continuou, Pesadumov sorriu: “Afins duma carona até Kiev?” Pesadumov entrou sorrindo no Lada de Delicatówisky, pararam o algodão com rodas numa padaria nobre, tomaram seus cafés e mastigaram seus petruchkanovaia sem dizerem 1 “a” 1 ao outro. Pesadumov quis pagar, mas Delicatówisky não deixou; Delicatówisky deixou Pesadumov  na portaria de neve da escadaria de neve do metrô. Pesadumov exercitou heroína na veia por várias semanas a tarde inteira com amigos detrás do balé municipal. Nunca mais encontrou nem lembrou de Delicatówisky; esse último: pensou, (se for permitida a expressão), não pelo anus, mas por anos. . .  anus pensa? anus podem pensar que pessoas não pensam. . .   . . .pensando bem: é indubitável que o anus de Delicatówisky pensara tb na conversa-comprimento com Pesadumov, à noite; tanto o dono do anus quanto o anus ora um em descanso ora o outro, pensaram por anos em Pesadumov; Delicatówisky levava certa vantagem para com seu útil orifício dadivoso; pois durante a lembrança, já que seu anus nunca teve se quer namorado: só o dono do anus podia acariciar os seios durinhos da sua médica de pijama. Lembrava do pequeno; à noite; “gruta é o coração talvez”, pensava, “talvez o tom de Pesadumov”.

 

        

 



Escrito por Júlio Amaral às 18h34
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Dois copinhos plásticos e um cordão

 

 

 

A vontade de te ver é tanta que rói feito um salário mínimo

 

Liga,

Liga.

 

Antes da aurora tanto anseio o olhar baldio

 

 

 



Escrito por Júlio Amaral às 11h46
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